Viva à Beça – Igor nELson

Ah que sentimento distinto!
Mais um gole de absinto…
Com este é já o quinto.

Que se foda o vinho tinto.
Águas passadas, pressinto.
Não falha o meu instinto.

Agora sinto. Agora sinto.
Hoje, olho para trás faminto…
Vida é senão labirinto.
Onde estou? Consinto…
Mas só respondes: Minto!

Sentir é um cinto feroz.
Um cinto de dominós.
Pensar assim é atroz.
Mas é o destino para nós.
Como para todos os rios, a foz,
Uma corrente atroz.
Assim como foi feroz
Para os nossos avós.

Querer mais? Nós? Não!
Nem eu nem tu nem o Queirós.
Aqui não há espaço para sós.

Obrigado por essa?
Ora essa. Viva à beça.
Que eu fico aqui nessa.
Comigo só, eu, e sem pressa.
Comigo, eu, e o amigo Eça.

Crer em mim? Jamais.
Tudo vivido, memórias desleais.
O fardo pesado quer sempre mais
Te segue para onde vais.
E acabo o poema em ais.
Porque para dizer não há mais.

-Igor nELson

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