À conversa com Igor nELson – Uma entrevista

À conversa com Igor nELson – Uma entrevista

 

 

 

 

 

 

P: Antes de mais gostaria de agradecer aos nossos leitores pela sua atenção, dedicação e tempo. Gostaria de começar a entrevista, Igor, por perguntar algo essencial. Um ponto fulcral que demarca o seu estilo de escrita. Quem és?

R: Olá! Grato pela entrevista e votos de boas leituras aos nossos leitores.

Tal como tenho dito naquilo que escrevo não sei quem sou nem o que sou. Podem dizer que sou uma pessoa, um informático, um sonhador ou um aficionado, um europeu, mas minimamente me identifico com estes conceitos. No fundo não faço a mínima ideia de quem sou. Antes costumava pensa que isto era algo que era intrínseco a mim, mas hoje acho que não estou sozinho neste barco. A maior parte das pessoas ficam cegas, absorvidas com as suas ideias e deixam de questionar o que as envolve pensando ser algo, mas na verdade ninguém é nada. Assim, quando começamos a falar com as pessoas mais abertamente apercebemo-nos que no fundo ninguém sabe completamente quem é e em muitos casos os ideais das pessoas acabam por poder ser moldados consoante situações ou estados de espírito.

P: Todos me perguntam o objetivo da criação deste projeto. O que é o projeto momentos para ti?

R: O projeto momentos começou por ser um passatempo. Esse passatempo foi ganhando cada vez mais forma e adquirindo um lugar na minha vida. Ao inicio o facto de escrever poesia em momentos isolados com frases vagas que me ocorriam quando fazia outras coisas ou quando estava a tentar dormir levaram a que fosse registando esses momentos que fui compilando. Esses registos deram origem ao meu primeiro livro “Momentos de Lucidez”. Gosto de pensar nesses momentos como os momentos que marcam as nossas vidas e que nos sentimos vivos. Não por estarmos alegres ou tristes, mas porque nos sentimos presentes na realidade.

P: O que é a realidade para ti?

R: Bem. Respostas a perguntas difíceis a esta hora? Hehehe.

Ao dizer realidade estava-me a referir aos momentos em que nos sentimos vivos. Isto é aqueles momentos em que não estamos distraídos nas nossas vidas quotidianas alimentando a sociedade. Aos momentos em que somos mais. Aos momentos em reparamos que existem coisas belas à nossa volta e dentro de nós. E claro aos momentos em que reconhecemos também as coisas feias, isto é, as menos belas. A minha realidade reside assim no reconhecimento de algo porque sinto essa coisa ao invés do sonho do quotidiano. Porque experiencio esse momento como algo único.

P: Quando começou a escrever?

R: Não sei precisar. Foi por volta de 2008-2009 quando entrei para a faculdade. Motivado pela aprendizagem de Fernando Pessoa no 12º ano e pela saída do ensino secundário e a obrigatoriedade de ter de escolher um caminho mais fixo para o resto da vida profissional.

O que o leva a partilhar os seus poemas com os leitores?

Acredito, acima de tudo, que não devo deixar o que escrevo perdido na eternidade e nunca o partilhar com o mundo. Sei que a poesia é algo que a maior parte das pessoas não procura ativamente. No entanto, quando se deparam com ela, muitas vezes as pessoas acabam por demonstrar o seu agrado e reconhecer quem escreve. O meu objetivo, portanto, é marcar “Momentos” especiais em cada pessoa para que elas se encontrem… Para que marquem os seus dias e para que se sintam especiais.

Quando é que escreves e como surge a inspiração?

São perguntas bastante interessantes. O meu processo de escrita subdivide-se em várias fases. Primeiramente limito-me a viver e a ouvir as vozes na minha cabeça. São essas vozes que trazem as melhores frases. Quando elas ocorrem é importante registar de imediato para que não se percam na memória traiçoeira. Após o registo dessas frases gosto de as armazenar num ficheiro para que mais tarde possam ser aprimoradas escrevendo o resto dos poemas. Desse modo vou melhorando a sonoridade, a temática do poema, etc. Esta segunda fase é um processo demoroso que pode demorar entre horas a meses. Há poemas que comecei a escrever há anos e nunca consegui chegar a algo que finalmente goste e ache completo.

E em termos de referências, quais são os autores que mais admiras?

Sem dúvida que para mim o melhor de todos foi, é e será Fernando Pessoa. Posso adicionar que gosto particularmente do Livro do Desassossego.

Finalmente, em relação ao clube momentos, o que podemos encontrar na página?

A ideia do clube Momentos é ser um espaço de partilha de poesia de vários autores de pequena dimensão. Criar um espaço para que aprendam a melhorar a sua escrita, divulguem ao mundo, conheçam novas pessoas para trabalhar ideias, mas acima de tudo criar um espaço dedicado à poesia.

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